quinta-feira, 5 de agosto de 2010

As Escrituras principais


   Os Vedas são as escrituras mais antigas do mundo, mas sua data de origem nunca pôde ser fixada, nem poderá, pois eles são eternos. Enquanto outras religiões clamam que sua autoridade foi dada por Deus ou um representante dEle, os Vedas clamam que não devem sua autoridade a ninguém: eles mesmos são a autoridade, sendo eternamente o conhecimento de Deus. Eles nunca foram escritos ou criados, tendo existido por todo o tempo; assim como a criação é infinita e eterna assim também é o conhecimento de Deus. E esse conhecimento é o que significa Veda. Os Vedas formam um guia prático de como viver bem neste mundo, com um mínimo de esforço e tensão, e ser elevado ao mundo espiritual (o reino de Deus) no final da vida. Eles pavimentam o caminho para a liberação final pela boa conduta e, assim, sua mensagem passa por todas as barreiras de país, credo ou tempo. Eles são universais em seu significado e apelo, pertencem a toda a humanidade e são para todas as épocas.
   O grande pensador alemão Max Müller disse: “Eu afirmo que para um estudo do homem, não há nada no mundo igual em importância com os Vedas. Eu afirmo que para todos que prezam a si mesmos, a seus antepassados, a sua história ou a seu desenvolvimento intelectual, o estudo da literatura védica é indispensável.
   "O que são Vedas? A raiz verbal sânscrita (a antiga língua sagrada e forma literária usada nos textos védicos) de veda pode ser interpretada de várias maneiras, mas o propósito é finalmente um. Veda significa conhecimento. Qualquer conhecimento que você aceite é veda, porque os ensinamentos dos Vedas são o conhecimento original...
   No estado condicionado, nosso conhecimento está sujeito a muitas deficiências. A diferença entre uma alma condicionada e uma alma liberada é que a alma condicionada tem quatro tipos de defeitos. O primeiro é que ela não pode deixar de cometer erros. Por exemplo, em nosso país, Mahatma Gandhi era considerado uma grande personalidade, mas cometeu muitos erros. Mesmo no fim de sua vida, ele não ouviu quando seu assistente o preveniu: “Mahatma Gandhi, não vá à reunião em Nova Delhi. Tenho alguns amigos e ouvi dizer que há perigo.” Mas ele insistiu em ir e foi assassinado. Até grandes personalidades como Mahatma Gandhi, Presidente Kennedy – há tantos deles – cometem erros. Errar é humano; este é um defeito da alma condicionada.
   Outro defeito: iludir-se. Ilusão quer dizer aceitar algo que não é: maya. Maya significa aquilo que não é. Todos estão aceitando o corpo como o eu. Se eu perguntar o que você é, você dirá: “Eu sou o Sr. João; eu sou um homem rico; eu sou isto, eu sou aquilo”. Tudo isto são identificações corpóreas, mas você não é este corpo. Isto é ilusão.
   O terceiro defeito é a propensão para enganar. Todos estão propensos a enganar os outros. Apesar de ser o tolo número um, uma pessoa faz pose de muito inteligente. Embora esteja em ilusão e cometa erros, como já foi evidenciado, ainda teoriza: “Eu acho que isto é isto, e isto é isto.” Mas ela nem mesmo conhece a sua própria posição. Escreve livros de filosofia, apesar de ser defeituosa. Esta é sua doença. Isto é enganar.
   Finalmente, nossos sentidos são imperfeitos. Temos muito orgulho de nossos olhos. Freqüentemente há quem desafie: “Você me pode mostrar Deus?” Mas você tem olhos para ver Deus? Você jamais O verá se não tiver os olhos. Se de repente a sala escurese, você nem consegue ver suas mãos. Então qual é o seu poder de visão? Não podemos, portanto, esperar conhecimento (veda) com estes sentidos imperfeitos. Com todas estas deficiências na vida condicionada, não podemos dar conhecimento perfeito a ninguém. Nem nós próprios somos prefeitos. Por isso, aceitamos os Vedas como eles são.
   Os Vedas não são compilações de conhecimento humano. O conhecimento védico vem do mundo espiritual, do Senhor Krishna. Outro nome para os Vedas é shruti. Shruti refere-se ao conhecimento adquirido através da audição; não é conhecimento experimental. O shruti é comparado à mãe. Adquirimos muito conhecimento de nossa mãe. Por exemplo, se você quer saber quem é seu pai, quem melhor lhe pode responder? Sua mãe. Quando a mãe diz: “Eis aqui seu pai”, você tem que aceitar isso. Não é possível, por experimentação, descobrir se ele é seu pai. Da mesma forma, é necessário que você aceite os Vedas caso queira conhecer alguma coisa além sua experiência, além de seu conhecimento experimental, além das atividades dos sentidos. Experimentar está fora de cogitação. Já foi experimentado. Já foi determinado. A versão da mãe, por exemplo, tem que ser aceita como verdade. Não há outro meio.
   Há três tipos de evidências: pratyaksha, anumana e shabda. Pratyaksha quer dizer direto. A evidência direta não é muito boa porque nossos sentidos não são perfeitos. Vemos o sol diariamente, e ele nos parece semelhante a um pequeno disco, mas, na realidade, ele é maior, bem maior que muitos planetas. Que valor tem esta visão? Está claro que a experiência direta não é perfeita; temos que ler livros. Então poderemos entender sobre sol. Em seguida, vem o conhecimento indutivo, a hipótese: “Pode ser assim”. Por exemplo, a teoria de Darwin diz que pode ser assim, pode ser assado, mas isso não é ciência. É uma sugestão e também não é perfeita. Mas se você recebe o conhecimento das fontes autorizadas, isso é perfeito. Quando você recebe uma programação das autoridades de uma estação de rádio, você a aceita; você não a recusa nem tem de verificá-la, uma vez que a recebeu das fontes autorizadas.
   O conhecimento védico é chamado shabda-pramana. Um outro nome é shruti. Shruti quer dizer que este conhecimento tem que ser recebido simplesmente através da recepção auditiva. Os Vedas ensinam que, para compreender o conhecimento transcendental, temos que ouvi-lo da autoridade. O conhecimento transcendental é conhecimento que está além deste universo. Dentro deste universo está o conhecimento material, e além deste universo, o conhecimento transcendental. Nem mesmo podemos ir ao fim do universo, como então podemos ir ao mundo espiritual? Assim, é impossível adquirir conhecimento completo." [“Shri Ishopanishad”, Inrodução]